Chocolate Artesanal de Gramado recebe registro de Indicação de Procedência

Foram cinco anos de trabalho iniciados em 2016, dos quais três na expectativa da análise do pedido protocolado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Finalmente, no dia nove de junho de 2021, foi concedido o tão aguardado registro da Indicação de Procedência do Chocolate Artesanal de Gramado.

Eventualmente essa espera foi ainda muito mais longa. Desde 1997, quando foi sancionada a legislação sobre indicações geográficas no Brasil. O Chocolate de Gramado já era apontado como uma das potenciais IGs no país.

O Chocolate e Gramado são termos intrinsicamente ligados no imaginário público nacional e mesmo internacional. São mais de dois milhões de registros desses termos em conjunto no Google. Tanto é assim que, desde abril de 2020, Gramado ostenta o título de Capital Nacional do Chocolate Artesanal.

O Selo de Indicação de Procedência atesta a autenticidade de um produto que tem relação de exclusividade com um território. Isso significa que um produto pertence à uma determinada região de produção por possuir características específicas, não podendo ser replicado para fora desta região.‍

Por trás desse reconhecimento existe uma rica história de visão empresarial, habilidade artesanal e competência técnica.

O Chocolate de Gramado adquiriu esse status de reconhecimento em decorrência de uma longa tradição histórica e cultural que se iniciou na década de 1970. A produção no município começou, literalmente, pelas mãos do pioneiro Jaime Prawer, motivado pela experiência de Bariloche, na Argentina, onde conheceu o chocolate caseiro, lá produzido, cuja formatação remetia ao território, cultura e clima.

Com isto, o chocolate artesanal alinhou-se a outras referências locais e regionais, como o Festival de Cinema Brasileiro de Gramado, quando o produto passou a ser reconhecido pelo público de fora do estado, e pela adoção pela Varig em seus kits de viagem.

A partir do sucesso do produto, novas empresas foram surgindo, disseminando o “saber fazer” de maneira fluida pela região, multiplicando a habilidade de produção, a competência técnica e a diversidades de produtos oferecidos.

A conquista da distinção de Indicação de Procedência refere-se tanto ao reconhecimento, quanto às características especiais do Chocolate Artesanal de Gramado.

A massa de chocolate é produzida localmente.  Ao invés de gordura vegetal hidrogenada,  é utilizada manteiga de cacau, por não apresentar gordura trans. O líquor e manteiga de cacau são utilizados num percentual mínimo de 35%, enquanto o percentual exigido pela legislação brasileira é de apenas 25%.

Esses fatores históricos e técnicos encontraram um ambiente perfeito no território de Gramado. A cidade, com suas raízes ligadas à imigração europeia, tem sua identidade associada à região dos Alpes, com clima propício ao consumo de alimentos mais calóricos.

Foi a percepção aguçada da Secretaria de Turismo de Gramado que, em conjunto aos fabricantes locais, motivou a construção e execução do projeto que deu origem à Indicação de Procedência do Chocolate Artesanal.

O Chocolate Artesanal é um atrativo de turismo de experiência no destino. Quem visita a cidade busca essa experiência de encantamento que vai além do paladar. As delícias estão disponíveis ao alcance das mãos e dos olhos, graças a um conceito de autoatendimento, também adotado de forma pioneira na cidade. É possível também conhecer as características especificas do produto, seus diferenciais, insumos, a história do produto, seu vínculo com o território e testemunhar a forma como é produzido.

A Indicação Geográfica une-se à diversidades pelo mundo afora, como Champanhe, Queijo Roquefort, Presunto de Parma, Charutos Cubanos, o que coloca Gramado num patamar internacional de destinos turísticos com forte identidade vinculada à um produto exclusivo.

Por isso, saborear o Chocolate Artesanal em Gramado é uma experiência única!

C.Turismo

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