Uso sustentável de territórios é chave na proteção das florestas

Estudos apontam que o Brasil possui aproximadamente 9% de toda a biodiversidade mundial. Segundo o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB), o país concentra 116 mil espécies diferentes. Apesar de tamanha abundância, um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, registra 3.299 espécies de animais e plantas ameaçadas.

Um dos casos mais alarmantes deste cenário é o da Mata Atlântica. O bioma se estende desde o Piauí até Rio Grande do Sul, e ocupava 15% de todo o território nacional, mas por conta do uso não planejado, hoje, resta apenas 7% da sua mata original. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF) mostram que o bioma abriga 383 dos 633 animais ameaçados de extinção no Brasil.

Como forma de enfrentar esta realidade, agentes públicos e privados vêm desenvolvendo medidas que visam proteger a biodiversidade por meio do uso consciente dos territórios. Um dos exemplos neste sentido é o Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica do país, localizado no Vale do Ribeira, interior de São Paulo.

Nascido de uma área adquirida na década de 1940, o Legado das Águas é gerido pela Reservas Votorantim, empresa que combina conservação ambiental e o desenvolvimento de negócios com a floresta em pé, como o ecoturismo, a produção e comercialização de plantas nativas da Mata Atlântica e compensações ambientais.

Atualmente, o Legado das Águas é refúgio para 13,05% do total de espécies animais ameaçadas na Mata Atlântica. A área da Reserva, localizada entre os municípios de Juquiá, Miracatu e Tapiraí, é correspondente ao tamanho da cidade de Belo Horizonte. Cerca de 75% da área é composta por floresta primária, composição que se tornou berço e refúgio para espécies raras e ameaçadas de extinção. 

Pesquisas científicas e monitoramento de fauna e flora realizados nos últimos dez anos do Legado registraram 1.765 espécies na área. Deste total, 809 são espécies animais, sendo 50 ameaçadas de extinção. O número inclui 296 espécies de aves catalogadas no local, o que representa 40% de toda a avifauna do Estado de São Paulo. Já na flora, a lista conta com 956 espécies, sendo 9 ameaçadas. 

“Estabelecer um modelo de negócios utilizando a floresta em pé abriga questões sociais importantes como a conservação do meio ambiente, a emergência climática, geração de emprego e renda, diminuição do êxodo rural, valorização das culturas locais, fortalecimento econômico da região e autonomia de comunidades locais. Pode-se afirmar que temos uma oportunidade diante do atual cenário em que o bioma demanda restauração”, afirma David Canassa, diretor da Reservas Votorantim.

C.Turismo

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