Entrevista – CT entrevista Marco Ferraz

CT – 1.- Temporada 2016/17 terminando, que resultados deixa para o Brasil? Marco Ferraz – Nesta temporada, nossa oferta total foi de 383 mil leitos, com sete navios, ou seja, 30% menor do que a temporada anterior. Essa redução representa menos empregos, menor impacto econômico e menos sonhos realizados. Os navios seguem a tendência da aviação: menos oferta em um ano difícil economicamente.   CT – 2.- Com a Ásia e a África cada ano mais pujantes no setor, como está a competitividade no Brasil? Marco Ferraz – O Brasil continua sendo menos competitivo do que os concorrentes, cerca de 40% mais caro de se operar, na média. A crise evidencia mais ainda as distorções e, por isso, nossas conversas com os intervenientes têm se intensificado. Portos, terminais, praticagem, sindicatos, agentes portuários, Ministério do Trabalho, Polícia Federal, Anvisa, Antaq, SEP, Receita Federal, entre outros, fazem parte da nossa agenda.   CT – 3.- Que está faltando? Como podemos melhorar? Marco Ferraz – Falta um pouco de tudo. Infraestrutura, novos destinos, menos custos, menos impostos, menos burocracia, etc. O Ministro do Turismo tem sido importante na relação política com os outros Ministérios e com o Palácio do Planalto. Caso as Medidas Provisórias sejam editadas, podemos ter mais americanos e canadenses fazendo nossos roteiros com a eliminação dos vistos. Além disso, a Embratur poderá promover mais o Brasil em outros países, trazendo mais estrangeiros para lotarem nossos navios. Um acordo com a SPU pode agilizar a aprovação de novos destinos. As conversas com os terminais de passageiros privados podem surtir efeitos na redução de tarifas. Temos problemas de interpretação da Lei Internacional do Trabalho à bordo que tem levado muitos tripulantes a moverem ações trabalhistas com algum sucesso, embora sem fundamento, até porque o Brasil é signatário da Convenção do Trabalho Marítimo, editada pela Organização Internacional do Trabalho. Falta a ratificação da Convenção no Congresso e estamos avançando para que em um ano esteja finalmente sancionada.   CT – 4.- Existem poucas mudanças de cidades visitadas ano após ano, teremos na próxima temporada novos Destinos? Marci Ferraz – Embora estejamos conversando com vários destinos, o único que já poderemos ver nos itinerários é Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Trata-se de uma região com muitas opções de passeios e entretenimento, como o Parque do Beto Carreiro, praias como Bombinhas e Porto Belo, além de tudo o que Camboriú oferece.     CT – 5.- O Brasil pode aspirar a ter cruzeiros o ano todo? Marco Ferraz – Ainda não é o momento, mas talvez o Nordeste, no futuro.   CT – 6.- Suas considerações finais. Marco Ferraz – Em resumo, o Brasil precisa avançar muito em infraestrutura portuária e políticas que reduzam a burocracia, pois o excesso de tributos e os problemas de regulação prejudicam tanto as empresas armadoras quanto os passageiros. Isso é urgente, pois as pessoas querem, sim, viajar, mas precisam de mais atrativos e melhores condições. Segundo dados do estudo Sondagem do Consumidor, do Ministério do Turismo, a intenção de viagem do brasileiro para os próximos meses atingiu o maior percentual do ano, 24,3%. Em resumo, são cerca de 60 milhões de brasileiros viajando pelo País, mas há ainda 70 milhões prontos para entrar nesse mercado.]]>

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