Aéreas da Ásia e da Europa começaram a sentir os impactos financeiros do conflito Irã-EUA-Israel
Alguns sinais indicam que o conflito envolvendo o Irã está provocando efeitos extremamente negativos para diversos destinos turísticos e, sobretudo, para várias companhias aéreas. Em alguns casos, o impacto é tão severo que empresas do setor já começaram a solicitar auxílios governamentais semelhantes aos oferecidos durante a crise da Covid-19. O epicentro dessa turbulência está no Golfo Pérsico, onde a atividade turística praticamente desapareceu.
Na Europa, o setor também demonstra preocupação. Na Itália, depois de inúmeros pedidos da indústria do turismo, a ministra do Turismo, Daniela Santanchè convocou uma reunião para a próxima semana com o objetivo de avaliar a dimensão da crise. Entidades do setor pressionam por uma resposta do governo e defendem medidas emergenciais. Entre as propostas está a suspensão temporária de obrigações fiscais para evitar prejuízos ainda maiores.
Enquanto isso, na Ásia, duas gigantes da aviação indiana — Air India e IndiGo — enfrentam sérias dificuldades financeiras. Ambas recorreram ao governo em Nova Délhi pedindo apoio econômico, alegando que o cenário atual ameaça sua sustentabilidade. A guerra afetou diretamente suas operações: todos os voos de curta distância rumo ao oeste foram interrompidos, e as rotas de longa distância para a Europa e os Estados Unidos sofrem forte impacto devido à escassez de corredores aéreos disponíveis.
Para contornar a situação, algumas rotas passaram a exigir desvios significativos. A IndiGo, por exemplo, tem realizado voos para a Inglaterra passando pelo continente africano, o que aumenta consideravelmente o tempo de viagem e os custos operacionais.
Já a Air India tenta reorganizar sua malha aérea buscando alternativas no leste da Ásia, região onde ainda é possível operar com relativa normalidade, embora os altos preços do combustível representem um desafio adicional.
Os números refletem claramente essa dificuldade. Nos primeiros dez dias de março, as duas principais companhias indianas conseguiram operar apenas 36% dos 1.230 voos que estavam programados para destinos a oeste do país, segundo dados da empresa de análise de aviação Cirium.
Em outro ponto da Ásia, a situação também levou empresas a reagirem economicamente. A companhia aérea Cathay Pacific, sediada em Hong Kong, não solicitou apoio governamental, mas decidiu elevar o preço das passagens como tentativa de compensar parte das perdas financeiras causadas pela instabilidade provocada pela guerra.





