Conexão Elas na Expo Turismo Goiás debateu protagonismo feminino

“Vocês entrarão aqui de um jeito e sairão de outro.” A promessa feita por Rose Páscoa, co-idealizadora da Expo Turismo Goiás, na abertura do Conexão Elas na Expo deu o tom de uma manhã dedicada à escuta, ao acolhimento e à troca de experiências entre mulheres que ajudam a construir o turismo brasileiro. O evento foi realizado nesta quinta-feira (18), durante a programação da 6ª Expo Turismo Goiás, maior feira de turismo do Centro-Oeste brasileiro. A segunda edição do encontro de mulheres reuniu cerca de 120 participantes.

Idealizado pelas CEOs da Expo Turismo Goiás, Rose Páscoa e Eliene Meireles, o Conexão Elas na Expo nasceu justamente da vontade de criar um ambiente seguro que busca fortalecer o espírito de sororidade, ampliar oportunidades de capacitação e incentivar o protagonismo feminino. “É uma honra compartilhar esse momento com todas vocês”, afirmou Rose. “O Conexão Elas surgiu de uma vontade nossa de conectar, apoiar e empoderar mulheres. É a segunda edição do evento, um bebê ainda, mas é muito importante para nós tê-lo dentro da nossa feira”, acrescentou Eliene.

Ao longo da programação, sete palestrantes subiram ao palco e mostraram que, embora as trajetórias femininas sejam diversas, muitas experiências se encontram. Aline Lopes, gerente da CNC/Cetur (Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade), lembrou que a coragem de acreditar no próprio trabalho pode impactar outras mulheres e contribuir para transformar territórios inteiros. “Às vezes uma fala nossa, um apoio, um acolhimento pode valer mais do que um patrocínio para alguém”. Ao apresentar iniciativas de capacitação em estados das regiões Norte e Centro-Oeste, defendeu que o turismo precisa ser acessível e capaz de gerar oportunidades para profissionais e destinos de todos os portes.

A necessidade de acolhimento e de políticas permanentes para mulheres no turismo também permeou a apresentação de Ana Carla Moura, coordenadora-geral de Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Turístico no Ministério do Turismo. Ela apresentou o Guia Mulheres que Viajam Sozinhas, iniciativa do MTur em parceria com a UNESCO elaborada a partir de uma pesquisa com 2.712 brasileiras. O levantamento mostrou que 62,1% já desistiram de viajar por questões de segurança e que 60,6% passaram por alguma situação de insegurança durante viagens solo.

Mais do que orientar os viajantes, o material propõe uma reflexão para todo o setor. “Viajar sozinha é um direito nosso”, defendeu Ana Carla. A consultora de turismo Vanessa Leal, que dividiu o painel com a gestora, lembrou que muitas mulheres viajam desacompanhadas não apenas a lazer, mas também a trabalho. “E o que a sua agência de viagens ou o seu hotel estão fazendo para construírem experiências mais seguras e acolhedoras?”, perguntou, provocando a reflexão.

À frente de um dos maiores eventos esportivos do país, Leonora Guedes, CEO do Rally dos Sertões, compartilhou os desafios de liderar uma operação em que 98% do público é masculino. Ela contou que encontrou apoio em homens que acreditaram em sua capacidade, porém reconheceu que ainda enfrenta estranhamento por ocupar um espaço historicamente associado aos homens. “As pessoas procuram uma figura masculina. Mas isso não pode nos incomodar e nem nos deter”, afirmou. Para ela, iniciativas como o Conexão Elas têm um papel importante justamente por criar ambientes em que mulheres se sentem mais à vontade para compartilhar experiências e construir novas possibilidades.

Os desafios silenciosos enfrentados por mulheres em posições de liderança foram debatidos por Jaqueline Gil, CEO da consultoria de marketing e turismo Amplia Mundo, e pela advogada Ana Carolina Fleury, que abordaram práticas de desqualificação profissional, perseguições institucionais, ataques à reputação e tentativas de apagar conquistas femininas. “Reconhecer essas práticas é o primeiro passo para podermos mudar esse cenário”, comentou Jaqueline.

Como resposta, ambas defenderam apoio mútuo, presença ativa e redes de suporte capazes de fortalecer mulheres em momentos de vulnerabilidade. Especialista em direitos das mulheres, Ana Carolina destacou que o trabalho remunerado – uma vez que muitos deles não são, como o cuidado com filhos ou afazeres domésticos – é fundamental. “Liderança e independência financeira são o que possibilita às mulheres saírem de situações ruins”, afirmou.

Encerrando a programação, Thais Medina, especialista em marketing e CEO da agência Business Factory, trouxe a comunicação para o centro da discussão sobre liderança feminina. Segundo ela, posicionamento não é apenas imagem, mas uma escolha consciente sobre como se deseja ser percebida e lembrada. “Não significa mudar a nossa essência ou valores. Estes precisam estar também na sua comunicação para que você seja autêntica. Mas a estratégia ajuda você chegar mais rápido na mesa que você decidiu se sentar”.

O encontro terminou com a mensagem de que mulheres se fortalecem quando encontram espaços seguros para trocar experiências e adquirir conhecimento e que o Conexão Elas na Expo precisa e deve ter vida longa.

C.Turismo

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