Transamerica Berrini avança no retrofit e implanta jornada 5×2
Entrevista exclusiva com Marcos Alves, gerente geral do hotel Transamerica Berrini-SP.
Coluna de Turismo: Como está o retrofit do hotel?
Marcos Alves: O retrofit, o que está acontecendo? Essa melhoria acontece por quê? Bom, nós estamos aí no sétimo pavimento concluído. Já nós estamos retirando todas as banheiras dos apartamentos. Nós entendemos que a banheira do apartamento foi um diferencial. Há quinze, vinte anos atrás, foi um diferencial para o produto. Hoje ele deixou de ser. Então, por diversas questões, inclusive por sugestão de hóspedes, também nós iniciamos esse retrofit pensando no público sessenta mais, que é um é um segmento que nós estamos iniciando, conhecendo agora, e a gente entende que o desejo desse público vai muito além da acessibilidade, questão de pertencimento, questão de desejo, mas também é necessário também que haja um espaço adequado pra receber esse tipo de segmento. Então, nós estamos aí com sete pavimentos finalizados e nós temos até a previsão até início de dois mil e vinte e sete todos os apartamentos do Transamerica sem a banheira, com exceção de quatro pavimentos, que são do décimo nono ao vigésimo segundo, que possuem a banheira e um box também. Então, tem as duas opções naquelas unidades que só tinham só a banheira, foi retirada a banheira e agora a gente só tem o com a unidade com o box. Box é mais higiênico, é mais fácil higienizar que a banheira. Além de ser mais higiênico, ele é mais seguro. É mais seguro tanto pro público sessenta mais, mas também pra qualquer tipo de hóspede, porque ele tem uma certa altura que acaba, numa determinada situação, ele pode se tornar passivo de quedas, ou tipo de acidentes assim. Então, além da questão higiênica, também por questão de segurança, a gente optou por fazer essa troca.
CT: Marco, falou em 60+, onTransamerica Berrini está à procura desse cliente?
MA: Sim, estamos à procura desse cliente. Eu disse anteriormente, entender a questão do crescimento desse mercado. A gente já percebe com conversas com parceiros que hoje quinze por cento, mais ou menos, do turismo já é desse segmento. A gente entendeu os movimentos iniciais de opções por destinos, como Serra Negra, como Águas de Lindóia, regiões de águas termais, mas a gente entende também que existe também uma parcela com destino a capital. Nós estamos em São Paulo, que é uma grande metrópole, e também há interesse por opções culturais e de gastronomia. Então, dentro desse contexto, Transamerica, vem se informando para entender de que forma podemos ofertar nossa melhor hospitalidade para esse público também. Percebemos que esse público tem uma condição financeira e condições de escolher uma opção adequada, e o governo de São Paulo, também iniciou um programa de do público sessenta mais que oferta pra cidades do interior, viagens para aquelas pessoas que não conseguiram viajar, então, com destinos interior, litoral, litoral interior, e também litoral interior pra São Paulo, e é dentro desse contexto que a gente está entendendo e buscando as informações pra poder oferecer também a melhor forma de atender esse público dentro das suas necessidades.
CT: Muito se fala em qualidade, mas para você ter uma qualidade de bem receber, bem atender, bem aconchegar o hóspede, você tem que estar aconchegado também como trabalhador. Sim, eh, como que está o regime de cinco por um ou seis por um? Como está essa situação?
MA: Excelente pergunta, porque o Transamérica Berrini, como gestão, buscamos antecipar essa questão da própria lei, da instituição da lei. A gente não sabe ainda qual modelo será aprovado, mas sabemos que será aprovado, a escala cinco por dois, são quatro projetos que estão no congresso em discussão, alguns estão mantendo a mesma jornada semanal, outros reduzindo pra quarenta e alguns até prevendo de forma escalonada chegar até trinta e seis horas de jornadas semanais. Dentro desse cenário, nos antecipamos, já estamos com áreas dentro do hotel que trabalhavam na escala seis por um, já trabalhando na escala cinco por dois, conseguimos dentro com o mesmo quadro de colaboradores fazer a mudança e a experiência que nós tivemos até agora nessa mudança foi muito positiva, o que acompanha pesquisas e relatos de empresas do Brasil e até do exterior, a questão da produtividade, porque entendemos que o trabalhador numa escala seis por um, e quando ele quando ele está atuando no sexto dia de trabalho, com a pressão das questões externas, como transporte muito difícil pra chegar no trabalho ele já está com a com a sua energia já praticamente esgotada, então entendemos que esse colaborador trabalhando numa escala que lhe conceda qualidade de vida, isso reverte também no trabalho dele com relação ao hóspede, e para o segmento de turismo, um empreendimento hoteleiro, isso é fundamental, porque nós trabalhamos com hospitalidade, então nós precisamos que o nosso colaborador esteja bem, saudável mentalmente, para que ele possa transparecer isso também no atendimento e no acolhimento que ele faz aos hóspedes que chegam aqui de viagem. Houve um ganho emocional, vamos chamar assim, para o trabalhador. Sem dúvida, muitos empresários alegam que isso acarreta custos imediatos. Então, não houve custos adicionais nenhum. No momento de tomada de decisão, o que a gente buscou fazer foi não ser contaminado por discursos que sabemos que vem carregado às vezes de questões ideológicas ou de interesses financeiros, e a gente buscou focar na questão da saúde do trabalhador. É claro que nós somos uma empresa, nós buscamos o resultado financeiro, faz parte do negócio, mas eu acredito que o foco principal é o colaborador, mesmo no sentido da mudança de escala. Então, nós focamos nesse ponto e buscamos dados que já são dados confirmados, tanto de empresas do Brasil como fora do Brasil, empresas do Japão, empresas dos Estados Unidos, que já fizeram a mudança, que já estão inclusive com um passo à frente, com escala quatro por três, e que elas já informaram ganhos de produtividade entre trinta e quarenta por cento, e também uma diminuição de quase quarenta por cento nas ausências por questões de saúde emocional dos colaboradores. Então, o número de ausência, que é um custo que tem que ser levado em conta, não está, eu acredito, nesse cálculo. Então, por isso se você for olhar todo o ganho que a empresa tem, com certeza é de ganho de produtividade e ganho de qualidade de vida pro colaborador também.
CT: O Transamerica Berrini tem um grupo muito importante de turistas internacionais, houve alguma algum impacto no setor de reservas a respeito do que está acontecendo no Oriente Médio? Hoje eu conversei hoje com um turista de Taiwan e ele estava feliz por estar em São Paulo, então, houve algum impacto?
MA: Olha, com relação a hóspede estrangeiro, como eles geralmente fazem uma reserva com uma boa antecedência, a gente não sentiu impacto tão grande. O maior impacto que nós temos sentidos, por exemplo, é que nós temos um calendário muito grande de feiras corporativas em São Paulo. O que nós percebemos é que a antecedência de compra pra essas feiras, ela diminuiu bastante. Então, assim, as compras que eram com antecedência de dois meses, três meses, elas passaram a ter a compra de quinze dias de antecedência, por uma questão de dessa estabilidade aí da guerra, e porque as pessoas também não sabem se essa guerra vai escalar ou se ela vai aumentar ou se vai causar fechamento de aeroportos. Então, um pouco mais de cuidado. Então, isso nós percebemos com relação com o mercado internacional, ainda não, ainda não tivemos um impacto muito grande.
Resumindo, nós estamos bem atentos com relação a ao mercado sessenta mais. A gente está buscando informações pra atender da melhor forma possível, e paralelo a isso, cuidando da questão da saúde do dos nossos colaboradores, que seria contraditório não não olhar com como prioridade na questão da escala cinco por dois. Eu não posso falar de saúde no trabalho e não me atentar pra essas questões que são graves no Brasil, no mercado de trabalho brasileiro, sem falar de uma de focar na qualidade de trabalho com o fim da escala seis por um, entendemos que realmente é uma escala desumana e que e que tem consequências muito sérias na questão da saúde emocional do trabalhador.”








