LGBT+ Turismo Expo debate avanço do mercado 60+

Por Mary de Aquino

Clovis Casemiro, gerente de desenvolvimento de membros da IGLTA no Brasil, Portugal e América do Sul, destaca o crescimento do público LGBT+ 60+, a importância da capacitação do mercado e a busca por destinos seguros e preparados.

As declarações foram dadas durante a quinta edição da LGBT+ Turismo Expo, realizada no último dia 21, no Hotel Unique, em São Paulo. O evento reuniu profissionais do turismo, destinos e empresas do setor para discutir novas demandas do mercado LGBT+ e oportunidades de negócios, com destaque para o crescimento do público viajante com mais de 60 anos.

O envelhecimento da população LGBT+ e a mudança no comportamento desse consumidor estão criando novas oportunidades para a indústria do turismo. Mais experiente, com maior autonomia e interesse por viagens, esse público busca destinos que ofereçam não apenas atrações, mas também segurança, acolhimento e profissionais preparados para atender suas necessidades.

Para Clovis Casemiro, a LGBT+ Turismo Expo ocupa um espaço estratégico por tratar diretamente do turismo LGBT+, aproximando destinos, agentes de viagens e operadores.

“Esse evento é muito importante porque é um dos poucos que realmente trata do turismo LGBT+. A intenção é que o agente de viagem e o operador possam receber melhor seus clientes LGBT+, conhecendo destinos e locais para onde possam enviar seus passageiros com mais segurança”, afirmou.

Neste ano, o debate sobre o público 50+ e 60+ ganhou protagonismo. Segundo Casemiro, a definição de turista sênior LGBT+ acompanha uma nova realidade de comportamento, na qual pessoas nessa faixa etária permanecem ativas, independentes e interessadas em explorar novos destinos.

“Eu diria 60 anos no nosso grupo, majoritariamente 60. Hoje uma pessoa de 60 anos é muito jovem. O LGBT+ 50 ou 60+ toma mais conta da própria vida, existe um cuidado maior com saúde e uma preocupação em escolher melhor onde viajar”, explicou.

A busca por segurança aparece como um dos principais critérios desse viajante. Segundo o executivo, parte desse público desenvolveu hábitos de autonomia e planejamento justamente pela necessidade histórica de avaliar ambientes mais acolhedores para sua identidade.

“A pessoa LGBT vai tomar conta ainda mais da própria vida. Às vezes vai viajar sozinha, então precisa saber como viajar, para onde ir e onde vai ser uma experiência positiva”, afirmou.

Na avaliação da IGLTA, o Brasil já apresenta uma estrutura consolidada para receber esse perfil de viajante, com destinos preparados para diferentes experiências. O executivo destaca que a maior atenção deve estar relacionada a produtos muito específicos, como atividades de aventura que exigem maior preparo físico.

Na América do Sul, países como Colômbia, Argentina e Uruguai aparecem entre os mercados com maior desenvolvimento do turismo LGBT+. Segundo Casemiro, o Uruguai se destaca pela legislação voltada aos direitos LGBT+ e pela estrutura de acolhimento construída ao longo dos anos.

A Colômbia também ganhou relevância como destino preparado para esse público, enquanto o Peru mantém uma posição histórica no segmento de viagens de maior valor agregado, especialmente pelo turismo cultural e de luxo.

“O Peru sempre teve esse lado um pouco mais luxuoso de viagem, com experiências como o Oriente Express e a Belmond, e isso também aparece para os turistas LGBT+”, afirmou.

O executivo também destacou destinos como Equador, com experiências em cidades como Quito e Guayaquil, como mercados que vêm ampliando sua capacidade de receber viajantes LGBT+.

Segundo Casemiro, um dos indicadores mais importantes para avaliar a segurança de um destino é observar como a própria comunidade LGBT+ local vive naquele território.

“Se é legal para a comunidade LGBT local viver, vai ser legal para o turista também. Isso traz mais segurança e confiança para quem está viajando”, explicou.

O crescimento do turismo LGBT+ 60+ acompanha uma transformação mais ampla do setor, na qual idade deixa de ser vista como uma limitação e passa a representar uma oportunidade de consumo. Com mais tempo disponível, interesse por experiências culturais e maior poder de decisão sobre suas viagens, esse público amplia a demanda por destinos preparados para oferecer atendimento inclusivo.

Para o mercado turístico, o desafio passa a ser compreender as diferentes fases da vida do viajante LGBT+ e criar produtos que combinem experiência, conforto e segurança. A discussão apresentada na LGBT+ Turismo Expo reforça que a diversidade deixou de ser apenas uma pauta de inclusão e passou a integrar a estratégia de crescimento da indústria de viagens.

C.Turismo

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