Crescimento do Afroturismo e da diversidade foi destaque na LGBT+ Turismo Expo

Por Mary de Aquino

Representantes da Embratur, São Luís, New Orleans e Colômbia mostram como ancestralidade, cultura e identidade passaram a integrar novas estratégias do turismo internacional, incluindo o público LGBT+.

As declarações foram dadas durante a quinta edição da LGBT+ Turismo Expo, realizada no último dia 21, no Hotel Unique, em São Paulo. Idealizado por Alex Bernardes, CEO do evento, o encontro reuniu representantes do turismo nacional e internacional para discutir oportunidades de negócios, tendências de consumo e novos segmentos capazes de ampliar a competitividade do setor.

Entre os temas que ganharam espaço está o afroturismo, segmento que vem crescendo ao transformar história, ancestralidade, memória e manifestações culturais em experiências turísticas. Mais do que uma vertente de viagem, o movimento representa uma mudança na forma como destinos apresentam suas narrativas e valorizam comunidades que participaram da construção de suas identidades.

Para o mercado LGBT+, essa conexão ganha relevância porque dialoga com uma demanda crescente por experiências baseadas em diversidade, pertencimento e acolhimento. Destinos que conseguem unir cultura, respeito e autenticidade passam a ocupar um espaço estratégico na disputa por viajantes nacionais e internacionais.

Segundo Tânia Neres, coordenadora de Diversidade, Afroturismo e Povos Originários da Embratur, a aproximação entre diversidade e turismo representa também uma oportunidade econômica.“A gente precisa entender que estamos falando de negócio. O mercado LGBT busca opções de viagens em família, com amigos, em lugares acolhedores, que respeitem essas pessoas. É um público que tem um ticket médio alto, gosta de permanecer mais tempo, mas precisa ser bem atendido”, afirmou.

Para a representante da Embratur, a inclusão deixou de ser apenas uma pauta social e passou a ser um elemento estratégico para o desenvolvimento do turismo.

“Quando um mercado é excludente, ele tem prejuízo. Respeitar a diversidade aumenta a economia, aumenta o PIB e torna o turismo mais sustentável”, destacou.

A executiva também ressaltou que o Brasil possui um patrimônio afro-cultural ainda pouco explorado internacionalmente. Segundo ela, diferentes regiões brasileiras têm potencial para desenvolver experiências ligadas à história, à memória e às comunidades tradicionais.

Entre os exemplos citados está a Amazônia, cuja formação também possui forte presença negra, além do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas, considerado um dos principais símbolos da resistência negra no país. Tânia Nerea também destacou a comunidade quilombola de Muquém, em Alagoas, e experiências relacionadas à trajetória de Carolina Maria de Jesus e às memórias negras de São Paulo.

“A Amazônia também é negra e precisa ser conhecida. O Brasil tem muitos lugares onde o visitante encontra pertencimento e história”, afirmou.

Essa valorização da identidade afro-brasileira tem em São Luís um dos principais exemplos de desenvolvimento do afroturismo. O secretário municipal de Turismo de São Luís, Saulo Santos, destacou que a capital maranhense foi reconhecida pelo Guia Negro como o melhor destino de afroturismo do Brasil.Segundo ele, um dos projetos de destaque é o roteiro do Quilombo Cultural de São Luís, localizado dentro do maior quilombo urbano da América Latina. A experiência reúne diferentes manifestações culturais, como terreiros de matriz africana, blocos afro, blocos tradicionais, casas de reggae, tambor de crioula e espaços ligados ao bumba meu boi.

“É um roteiro de imersão sobre ancestralidade, história, memória e identidade do povo afro na cidade de São Luís”, explicou.

Para Santos, o afroturismo também permite uma nova leitura do patrimônio histórico da cidade, reconhecendo a contribuição da população africana escravizada na construção dos espaços que hoje integram o centro histórico, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.

No cenário internacional, New Orleans aparece como um dos destinos que melhor conectam cultura afro, música, gastronomia e turismo de experiência. Segundo Kim Moura, executivo da Outlook Reps, empresa que representa New Orleans e a Travel South USA no Brasil, a cidade tem uma relação histórica com a diversidade e com o público LGBT+.
“New Orleans tem tudo a ver com turismo LGBT. A cidade está sempre de braços abertos para receber todos”, afirmou.
O destino norte-americano integra a Rota dos Direitos Civis Americanos, percurso histórico ligado à luta por igualdade racial nos Estados Unidos. Para Moura, conhecer New Orleans é também compreender a trajetória da população negra no país, além da influência africana na criação do jazz e em outras manifestações culturais.“A gente fala de lugares onde a história aconteceu. É possível conhecer a criação da música, mas também a luta pelos direitos que essas comunidades tiveram”, destacou.

A Colômbia também utiliza o afroturismo como uma estratégia de promoção internacional. Andrés Díaz, diretor da ProColombia no Brasil, destacou que a herança afro-colombiana é um dos elementos centrais da identidade turística do país.

“Temos uma herança afro muito grande em nosso país. O componente afro é importantíssimo dentro do turismo diverso”, afirmou.

Um dos principais símbolos dessa estratégia é o Festival Petronio Álvarez, realizado em Cali, considerado uma das maiores celebrações da cultura afro da América Latina. O evento reúne música, gastronomia e tradições do Pacífico colombiano, transformando manifestações culturais em uma plataforma de valorização econômica e turística.
O Festival de Música do Pacífico Petronio Álvarez 2026 será realizado do dia 9 ao dia 17 de agosto.

Para Díaz, o país trabalha para ampliar a oferta destinada ao público LGBT+ por meio de experiências ligadas à cultura, gastronomia, bem-estar e patrimônio.

A expansão do afroturismo mostra uma mudança no comportamento do viajante internacional, que busca cada vez mais compreender a história e a identidade dos destinos visitados. Ao reunir representantes de diferentes regiões e países, a LGBT+ Turismo Expo evidenciou como diversidade e turismo podem caminhar juntos em uma estratégia de desenvolvimento econômico.

C.Turismo

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