Park City amplia resorts e fica atento ao mercado do Brasil

Por Mary de Aquino

Destino de Utah, Park City, combina expansão de Deer Valley, novos hotéis, gastronomia e eventos esportivos para ampliar seu produto turístico em um momento de mudança marcado pela saída do Sundance Film Festival

Park City está usando a temporada 2026/2027 para ampliar não apenas sua infraestrutura de esqui, mas a própria definição de seu produto turístico. A estratégia apresentada nesta quinta-feira, 3 de setembro, a jornalistas reunidos na Born to Ski, na Vila Olímpia, combina investimentos em resorts, hotelaria, eventos esportivos, gastronomia, acessibilidade e sustentabilidade — e coloca o mercado brasileiro entre os públicos que o destino de Utah pretende continuar desenvolvendo.

Megan Underwood, gerente de Vendas e Marketing do Visit Park City, começou a apresentação pela conectividade. Segundo ela, o destino fica a cerca de 35 minutos do Aeroporto Internacional de Salt Lake City, enquanto a rota sazonal via Lima, no Peru, volta durante dezembro e janeiro, criando uma alternativa para viajantes provenientes do Brasil. O aeroporto recebe ainda mais de uma centena de voos domésticos por dia, de acordo com os dados apresentados. Já em Park City, o transporte público gratuito reduz a necessidade de carro e conecta áreas de hospedagem, comércio, restaurantes e montanha.

O principal investimento, porém, está nos resorts. Park City Mountain, aberto a esquiadores e snowboarders, vem melhorando os acessos em Canyons Village, inclusive com uma lógica que busca incorporar o não esquiador à experiência da montanha. Gôndolas permitem que acompanhantes subam para encontrar familiares, almoçar ou utilizar outros serviços. Para o turismo, isso amplia a base potencial do produto: uma família não precisa mais ser formada integralmente por praticantes de esportes de neve para consumir a montanha.

Em Deer Valley Resort, exclusivo para esquiadores, a transformação é de escala. Underwood afirmou que o processo de expansão acrescentará, em dois anos, 11 meios de elevação e 107 novas pistas. Após uma primeira etapa entregue na temporada anterior, outras sete pistas e um novo lift entram na operação neste inverno. O efeito ultrapassa a capacidade esportiva: novas áreas de montanha criam oportunidades para hotelaria, alimentos e bebidas e serviços associados ao fluxo adicional de visitantes.

A hotelaria acompanha esse crescimento. A apresentação destacou novas propriedades, reformas e diferentes modelos de acomodação, desde hotéis de perfil intermediário até unidades maiores para famílias e grupos, além da oferta próxima à Main Street ou com acesso direto às pistas. O objetivo é atender perfis variados dentro de um mercado que tradicionalmente combina alta permanência e gastos relevantes em hospedagem, alimentação, equipamentos e serviços.

O calendário de janeiro acrescenta outro desafio estratégico. Durante décadas, o Sundance Film Festival deu a Park City visibilidade global e forte movimentação econômica durante o inverno. Na edição de 2025, o evento reuniu mais de 85 mil participantes presenciais e teve impacto econômico estimado em US$ 196,1 milhões em Utah. Depois de um processo de avaliação de sua futura sede, o Sundance decidiu transferir-se para Boulder, no Colorado, a partir de 2027.

Park City, no entanto, não está tentando substituir o festival por um equivalente. A estratégia apresentada por Underwood é ocupar parte desse calendário reforçando os esportes de inverno. Uma competição criada por Shaun White será realizada em Park City Mountain, enquanto Deer Valley receberá outra disputa internacional na semana seguinte. A executiva afirmou que os eventos serão abertos ao público e mencionou ainda a possibilidade de concertos e outras ativações na Main Street. O destino passa, assim, a preencher parte do espaço deixado pelo Sundance com programação diretamente ligada à sua identidade esportiva.

O ciclo até os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de 2034 reforça essa narrativa. Park City já possui o legado de 2002 no Utah Olympic Park e pode usar os próximos anos para transformar a aproximação dos Jogos em argumento promocional e turístico.

Ao mesmo tempo, gastronomia passou a ocupar posição mais forte na estratégia. The Nelson Cottage by High West, Matilda e Handle foram apresentados como restaurantes recomendados pelo Michelin, em um destino que reúne aproximadamente 150 bares e restaurantes. Para o trade, o reconhecimento acrescenta valor à venda da experiência fora das pistas e ajuda a ampliar consumo e permanência.

A mesma diversificação aparece na acessibilidade. Park City trabalha com a Wheel the World, que já verificou 30 empresas do destino, e conta com o National Ability Center para atividades adaptadas. Na sustentabilidade, as metas apresentadas incluem emissões líquidas zero, energia integralmente renovável e desperdício zero de alimentos até 2030.

O encontro terminou com jornalistas experimentando a pista da Born to Ski. A ação resumiu uma parte da estratégia para o Brasil: aproximar o mercado de um produto que ainda depende de experiência e familiaridade para ganhar novos consumidores. Park City está aumentando a montanha; o desafio, agora, é aumentar também o número de brasileiros dispostos a conhecê-la.

C.Turismo

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