Hotel Transamérica Berrini aumenta ocupação e faz retrofit
Coluna de Turismo, entrevistando Marcos Alves, gerente geral do Hotel Transamérica Berrini, sobre os desafios e perspectivas da hotelaria corporativa de alto padrão em 2025.
O setor hoteleiro de alto padrão, especialmente voltado ao público corporativo, vem enfrentando uma série de desafios e transformações significativas nos últimos anos. O Transamérica Berrini, localizado em uma das regiões empresariais mais estratégicas de São Paulo, ilustra bem esse cenário dinâmico e repleto de nuances. Com mais de duas décadas de atuação no mercado, o empreendimento representa não apenas um espaço de hospedagem, mas também uma vitrine da evolução do comportamento do consumidor e da economia do turismo.
O início de 2025 trouxe certa instabilidade para o setor, reflexo de fatores externos como políticas de taxação internacional, principalmente provenientes dos Estados Unidos, que impactaram diretamente o mercado corporativo. Considerando que cerca de 80% do público do Transamérica Berrini é formado por viajantes a negócios, qualquer abalo no ambiente econômico global se traduz em variações na ocupação e na performance do hotel. Entretanto, o cenário apresentou sinais de recuperação, com abril registrando um crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2024, superando inclusive o budget estipulado para o mês. A expectativa é que essa tendência de estabilidade e crescimento se mantenha ao longo dos próximos meses.
Paralelamente ao desafio macroeconômico, os hotéis de alto padrão precisam se adaptar às novas exigências do público. O perfil do hóspede atual difere consideravelmente do passado. Mais do que conforto e cordialidade, os clientes buscam experiências completas e personalizadas. Atento a essa realidade, o Transamérica Berrini oferece uma ampla gama de serviços, que inclui dois restaurantes – um italiano e um indiano –, rooftop para eventos corporativos e sociais, além do espaço Bali, ideal para confraternizações ou encontros de negócios. A gastronomia, nesse contexto, deixou de ser um serviço complementar e passou a ser um pilar estratégico na experiência de hospedagem.
Outro fator que vem preocupando o setor é a retomada da exigência de vistos para turistas de países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão. Embora ainda não tenha impactado diretamente o fluxo de hóspedes do Transamérica Berrini, a médio e longo prazo a medida pode representar uma retração na entrada de turistas desses mercados. Vale lembrar que em janeiro de 2025 o Brasil registrou número recorde de turistas estrangeiros, superando 1,5 milhão de visitantes. Com a chegada de grandes multinacionais na região, como a fabricante chinesa de smartphones Vivo, a demanda internacional tende a se manter em crescimento, ao menos no curto prazo.
O segundo semestre de 2025 traz consigo novos e antigos desafios para o setor hoteleiro. Um dos principais é o fim do Perse – programa de auxílio fiscal criado pelo Governo Federal para mitigar os efeitos da pandemia no setor de turismo. Com a interrupção desse benefício, muitos empreendimentos que utilizavam os recursos para recompor seus caixas agora se veem obrigados a retomar projetos de retrofit que foram adiados nos últimos cinco anos. A modernização da infraestrutura é urgente, visto que os hóspedes buscam, cada vez mais, tecnologia e inovação em sua experiência. No Transamérica Berrini, por exemplo, andares inteiros estão sendo reformados, com previsão de entrega das novas suítes até meados do segundo semestre.
Por fim, a escassez de mão de obra qualificada se tornou um dos principais entraves para o desenvolvimento sustentável da hotelaria de alto padrão. A dificuldade em preencher vagas, especialmente nas áreas de manutenção, governança e recepção, reflete a necessidade de investir em formação e retenção de talentos. Programas de treinamento interno, como os que vêm sendo realizados no Transamérica Berrini, surgem como resposta imediata a esse desafio, visando não apenas capacitar colaboradores, mas também preparar sucessores para cargos estratégicos.
Em suma, o cenário da hotelaria corporativa em São Paulo em 2025 é de retomada, mas também de reinvenção. Para manter-se competitivo, é necessário não apenas adaptar-se às exigências do mercado e às mudanças econômicas globais, mas também antecipar tendências, modernizar serviços e valorizar o capital humano – elementos fundamentais para garantir a excelência e a sustentabilidade no setor.





