Turismo no Brasil oscila entre o profissionalismo e a selvageria

Editorial por Ariel Figueroa, editor da Coluna de Turismo e 60 Mais Turismo

Inegável é os números atuais do turismo brasileiro, nunca tivemos tantos turistas internacionais, tantos empregos, tantos investimentos, tantos destinos surgindo e se remodelando. Por um lado.

Inegável é que muitos outros, muitos mesmo, vão na “ponga” de quem investe e trabalha o ano todo, sem preparo, sem noção do que significa trabalhar o turismo.

Existe uma verdade nem sempre reconhecida, para que os turistas honrem o destino com sua presença, seu dinheiro e seu tempo existe quem investiu para que isto acontecesse.

Para que o casal de turistas do Mato Grosso escolhesse Porto de Galinhas existiu um árduo trabalho de entidades públicas e privadas trabalhando e investindo para tal. Secretaria de Turismo do Estado de Pernambuco, Convention de Porto de Galinhas, receptivos… Investimentos vultosos de stands em feiras de turismo no Brasil e no exterior, convites para jornalistas e agentes de viagens para conhecer e divulgar o destino.

Tos os envolvidos com um alto profissionalismo de compreensão da economia do turismo.

Mas, eis que aí surgem outros atores totalmente despreparados. Os serviços correlatos para os turistas em p4aias e outros atrativos. Só uma permissão da Prefeitura ativa estes ditos empresários de cadeiras de praia – que convenhamos, não é exclusivo de Porto de Galinhas- e acontece o que aconteceu. Selvageria. Uma turva ensandecida, contei nos vídeos de redes sociais mais de doze indivíduos espancando o casal de turistas por causa de trinta reais.

Vai sair caro para Porto de Galinhas e Pernambuco resgatar a imagem, abalou, impactou, estarreceu o Brasil. Sem policiamento.

Selvageria em Porto de Galinhas, mas também vídeos em Santa Catarina onde os moradores e turistas se depararam com a praia já toda tomada de guarda-sóis das barracas de praia, que se “acham os donos da areia”. Em Salvador da Bahia os turistas são diariamente coagidos a pagar por pinturas corporais que não querem, mas as abordagens violentas intimidam e acabam pagando. No Rio de Janeiro um arrastão gigante em Copacabana, correria total, pânico.

O turismo vai bem no Brasil, repito, os números não mentem, porém, é preciso, de forma urgente, abrir o diálogo com quem trabalha o turismo na base, na frente ao público. Ter um excelente e fluente em idiomas na recepção do hotel já é natural. Precisamos olhar o todo, na hora que o turista sai do hotel, o hotel não pode mais ser uma ilha de excelência no atendimento  fora um caos.

Quem já trabalha com turismo, trade, já está preparado, falta um olhar maior.

Atendimento. Respeito. Compreender o turismo como uma indústria.

Próxima etapa tem que ser capacitação das pessoas que hoje exploram os turistas para que explorem o turismo como uma atividade econômica que pode ser de por vida, se trabalhar direito.

Precisamos Ministério, Estados, Prefeituras e Sistema S entenderem isto, ou profissionalizamos todas as pontas do setor os fatos recentes irão se repetir e virar tragédias.

 

 

 

 

C.Turismo

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