Vila Kalango e Rancho do Peixe são os escolhidos pelos franceses no Ceará
Europa lidera gastos do turismo internacional, com US$ 835 bilhões; no Grupo e* (Vila Kalango e Rancho do Peixe), milhares de clientes vieram do exterior em 2025, atraídos por esportes de vento, natureza e uma hospedagem alinhada à sustentabilidade.
A força do viajante europeu voltou a aparecer nos números globais do turismo. No ano passado, a Europa concentrou US$ 835 bilhões em gastos de visitantes internacionais, o maior volume entre todas as regiões analisadas em levantamento divulgado pelo Visual Capitalist.
No Ceará, esse movimento também aparece no fluxo de turistas estrangeiros e ganha contornos particulares em destinos como Jericoacoara e Praia do Preá, onde vento, natureza e esportes náuticos ajudam a atrair visitantes de outros países.
Nas pousadas do Grupo e*, entre os visitantes internacionais, os franceses têm participação expressiva. Foram quase 30% hóspedes da França, do total de estrangeiros recebidos pelos dois empreendimentos ao longo do ano.
A presença francesa está diretamente relacionada a uma das principais características da região: as condições naturais para a prática do kitesurf e de outros esportes movidos pelo vento, como wingfoil e windsurf. Mas esporte não explica sozinho a escolha do destino. O contato com a natureza e a preocupação com a forma como os empreendimentos se relacionam com o ambiente também pesam na experiência desse visitante.
Para Paolo Piatti, sócio do Grupo e*, esse conjunto ajuda a diferenciar Preá e Jericoacoara no mercado europeu.
“O francês chega muito motivado pelo kite e pelas condições de vento que encontra aqui, mas percebemos que existe também uma identificação forte com a proposta das pousadas. É um público que valoriza natureza, preservação e empreendimentos que procuram reduzir seu impacto. Para ele, sustentabilidade faz parte da experiência de viagem e não fica separada da escolha da hospedagem”, afirma Piatti.
Há hóspedes que permanecem por até 20 dias, combinando a prática esportiva com gastronomia, natureza e experiências no território.
Esse tipo de permanência também amplia o impacto econômico do turismo. O gasto deixa de se concentrar apenas na hospedagem e alcança restaurantes, instrutores e escolas de esporte, transporte, comércio, passeios e outros serviços locais.
Natureza como ativo econômico
Para destinos como Preá e Jericoacoara, a preservação ambiental tem uma dimensão que vai além da agenda socioambiental. Ela está ligada à própria capacidade de continuar atraindo o turista.
No Rancho do Peixe, as construções ocupam apenas 8% de uma área superior a 60 mil metros quadrados, mantendo a maior parte do terreno preservada. Cerca de 90% dos mais de 100 postos de trabalho são ocupados por moradores da região.
Na Vila Kalango, os 59 coqueiros existentes originalmente no terreno foram preservados e incorporados ao projeto, mantendo a integração da pousada com a paisagem de Jericoacoara.
Esse modelo recebeu recentemente reconhecimento internacional. Vila Kalango e Rancho do Peixe conquistaram a Certificação B Corp, concedida pelo B Lab após uma avaliação que considera desempenho social e ambiental, governança, trabalhadores, comunidade e clientes.
A Vila Kalango alcançou 93,7 pontos e o Rancho do Peixe, 97 pontos. As duas são as únicas pousadas do Ceará certificadas como B Corp e integram um grupo ainda restrito da hotelaria brasileira com o reconhecimento.
Para Silmara Ambrósio Américo, CEO do Grupo e*, a certificação reforça uma estratégia que acompanha o crescimento do turismo internacional sem dissociá-lo da preservação do território.
“Receber cada vez mais visitantes estrangeiros é importante para a economia da região, mas queremos que esse crescimento aconteça preservando justamente aquilo que faz essas pessoas atravessarem o oceano para chegar até aqui. A Certificação B Corp reconhece uma forma de gestão em que resultado econômico, impacto social e cuidado ambiental precisam caminhar juntos”, afirma Silmara.
Um visitante que movimenta uma cadeia maior
Os números globais ajudam a dimensionar esse mercado. O turismo internacional movimentou mais de US$ 2 trilhões em 2025, e a Europa respondeu por mais de 40% do valor registrado entre as regiões analisadas.
No Ceará, o turista europeu encontra atributos difíceis de reproduzir em outros destinos: vento constante, temperaturas elevadas, extensa faixa de praia e contato direto com a natureza.
É um fluxo que interessa tanto à hotelaria quanto à economia regional. Quanto mais longa e integrada ao território for a experiência desse visitante, maior a possibilidade de distribuir os recursos da viagem por diferentes atividades e negócios locais.
Nesse cenário, vento, natureza preservada e sustentabilidade deixam de ser apenas atributos turísticos e passam a funcionar também como ativos econômicos para o Ceará.






