Eventos como porta de entrada para o Ceará
Por: Suemy Vasconcelos, diretora-executiva do Visite Ceará
Falar sobre turismo é falar sobre deslocamentos, encontros e experiências que começam antes de o visitante chegar ao destino. Há uma expectativa construída, um roteiro pensado e uma curiosidade que, muitas vezes, ainda não tem forma definida. É nesse percurso que os eventos podem exercer um papel importante, pois são capazes de trazer pessoas ao Ceará por uma razão específica e, a partir dela, apresentar tantas outras.
Quem chega para um congresso, uma feira ou um encontro profissional não deixa de ser turista porque tem uma agenda a cumprir. Entre uma atividade e outra, existe uma cidade acontecendo. Há um restaurante a ser descoberto, um equipamento cultural a ser visitado, uma praia para conhecer, uma troca dialógica que pode indicar um novo passeio. São experiências que não estavam no motivo original da viagem, mas que podem se tornar parte da lembrança que esse visitante levará consigo.
E isso já aparece na dimensão que os eventos alcançam. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, Fortaleza movimentou mais de R$ 500 milhões com visitantes que vieram à cidade para participar de eventos corporativos, congressos e feiras. É um número expressivo, mas gosto de pensar que por trás dele existem pessoas que circularam por toda a cidade, explorando suas maravilhas.
Nos eventos esportivos, essa conexão com os atrativos náuticos pode ser ainda mais próxima e identitária. Vela, kitesurf e downwind, por exemplo, colocam o visitante em contato com o litoral, nosso cartão-postal de destaque. É uma forma de apresentar o território por aquilo que ele tem de próprio e de difícil reprodução em outro lugar. Quem chega para competir ou acompanhar uma prova também pode descobrir que existe muito mais para conhecer depois que a programação termina.
É por isso que vejo os eventos como oportunidades para um turismo de lazer. O que começa como uma viagem motivada por uma agenda específica pode ganhar novos significados quando o visitante se permite conhecer o lugar que o recebe.
E existe algo que nenhum indicador econômico consegue medir: a memória que o visitante carrega, mesmo após desembarcar em sua cidade. Ele pode chegar ao Ceará para participar de um encontro e voltar em outro momento para passar férias. Pode recomendar um restaurante, compartilhar uma paisagem, contar sobre uma experiência ou simplesmente guardar no coração o acolhimento que recebeu. Temperos, paisagens, sotaques, modos de receber e de viver também fazem parte da imagem que um destino constrói.






