57 mil tripulantes de cruzeiros ainda à deriva

Apesar de os passageiros já terem sido liberados, dezenas de milhares de integrantes de tripulações de cruzeiros americanos que transportavam pessoas com coronavírus ou suspeita permanecem a bordo e sem perspectiva de retornarem para suas casas. Muitos seguem isolados, sem garantia de repatriações e até mesmo sem salários.

Segundo a rede de tv americana CNN, a Guarda Costeira dos EUA informou que, nesta terça-feira, havia mais de 57 mil tripulantes ainda a bordo de 74 navios de cruzeiro nos portos do país, nas Bahamas e no Caribe. Isolados, os funcionários seguem esperando respostas, sem passageiros, trabalho para executar e já tendo concluído a quarentena.

 

Tripulantes se sentem esquecidos

 

— Espero que não sejamos esquecidos, para ser sincero — desabafou MaShawn Morton, que trabalha para uma empresa americana, à CNN. — Parece que ninguém se importa com o que está acontecendo conosco.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), a agência de proteção à saúde dos EUA, emitiu uma série de regulamentações para os navios e suas tripulações. Seguindo a regulamentação, os tripulantes só podem desembarcar para repatriamento ou transferência entre navios, se forem transportados por aeronaves ou veículos pessoais especialmente fretados.

Já a tripulações de cruzeiros que não transportaram casos ou suspeita de Covid-19 podem desembarcar e viajar em aviões comerciais. Ainda assim, é necessária aprovação prévia do CDC. A empresa responsável pelo cruzeiro deve preencher também uma declaração “atestando o status do navio como livre de Covid-19”.

Ainda que algumas empresas comecem a seguir os protocolos da CDC, muitos tripulantes ainda esperam que as companhias tomem as providências e medidas necessárias para que possam deixar os navios.

Há alguns entraves para responder aos funcionários, como a falta de voos comerciais, a proibição de viagens, acessos terrestres bloqueados, entre outros. Além disso, muitas empresas temem se responsabilizar e seguir o que impõe a CDC.

 

Pagamento só até abril

Distantes de suas famílias, há ainda quem tenha que enfrentar questões financeiras. Integrantes de uma tripulação ouvida pela CNN relataram que a empresa os informou que eles “não são mais considerados empregados” e que foram pagos só até o final de abril.

A Associação Internacional de Linhas de Cruzeiros, CLIA, órgão que supervisiona a maioria das linhas de cruzeiros do mundo, dizsse à CNN que está “trabalhando com o CDC para enfrentar esses desafios sem precedentes e repatriar membros da tripulação o mais rápido possível”.

*Matéria Extra Globo/CNN com Redação da CT

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