Expo Turismo Paraná 2025; Café Caparaó, tradição e qualidade
Coluna de Turismo, na Expo Turismo Paraná, 2025, entrevistando Weuller de Souza Gonçalves, barista, esperto em café, especificamente do norte do Caparaó. Do sul do estado do Espírito Santo.
O Café do Espírito Santo: Tradição, Qualidade e a Busca pelo Reconhecimento Nacional
O Espírito Santo, especialmente a região do Norte do Caparaó, tornou-se uma referência nacional na produção de cafés especiais. Esse reconhecimento se deve a uma combinação de fatores naturais e humanos. O terroir da região, caracterizado por temperaturas mais baixas e altitudes elevadas no entorno do Parque Nacional do Caparaó, favorece o desenvolvimento de grãos mais doces e de alta qualidade. Além disso, o conhecimento e a dedicação dos produtores, que investem em técnicas aprimoradas de cultivo e processamento, são essenciais para garantir que o café chegue à xícara com excelência.
A produção de cafés especiais exige um olhar mais técnico e cuidadoso. O cafeicultor precisa estar disposto a modernizar suas práticas e abandonar métodos tradicionais que comprometem a qualidade do grão. Em vez de secar os grãos no chão, por exemplo, utiliza-se terreiro suspenso, evitando contaminações. A colheita seletiva é outro diferencial: os melhores produtores realizam várias passagens pelo mesmo pé de café ao longo da safra, colhendo apenas os grãos no ponto ideal de maturação. Isso evita a presença de grãos verdes, que conferem sabores adstringentes e indesejáveis à bebida. Esse trabalho minucioso exige mais mão de obra e encarece a produção, mas o resultado é um café de sabor mais puro e equilibrado.
No entanto, apesar da qualidade excepcional, muitos desses cafés não chegam às mesas dos brasileiros. Historicamente, o país tem exportado seus melhores grãos, enquanto o mercado interno consome produtos de menor qualidade. Essa realidade começa a mudar com a conscientização dos produtores, que precisam valorizar e comercializar seus cafés especiais localmente. Da mesma forma, os consumidores brasileiros devem buscar esse produto diferenciado, frequentando cafeterias e empórios especializados, e explorando a complexidade do café da mesma forma que fazem com o vinho.
O Brasil tem uma riqueza imensa quando se trata de café, mas ainda não descobriu todo o potencial de seus próprios grãos especiais. A valorização dessa bebida começa no campo, passa pelo compromisso do produtor e chega à mesa do consumidor, que precisa reconhecer e demandar o que há de melhor em sua própria terra.





