Oceanic Aquarium cuida de 170 espécies

Um cavalo-marinho que só aceita alimento na pinça. Pinguins com preferências distintas para nadar ou permanecer no ninho. Um pirarucu que exige cautela durante a entrada da equipe em seu habitat. Nos bastidores do Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú (SC), detalhes como esses orientam o trabalho de 14 tratadores responsáveis por cerca de 1.500 indivíduos.
São mais de 170 espécies distribuídas em 30 habitats, de corais a tubarões. Diferenças de porte, hábitos e características biológicas exigem procedimentos específicos e conhecimento técnico para reconhecer sinais que nem sempre são evidentes para o visitante.
Neste 4 de outubro, quando se celebram o Dia Mundial dos Animais e o Dia do Tratador de Animais, os relatos da equipe mostram uma profissão que reúne alimentação, manutenção dos ambientes, registros técnicos, enriquecimento ambiental e acompanhamento das condições de cada exemplar.
“Quando falamos em cerca de 1.500 animais, parece um número muito grande, mas, para os tratadores, esse cuidado acontece de forma individual. A convivência diária faz com que conheçam cada vez mais os animais e percebam pequenas mudanças que poderiam passar despercebidas. Esse olhar atento, aliado ao conhecimento e à técnica, é fundamental para o bem-estar de cada um”, afirma a gerente de operações técnicas, Juliana Formágio.
Desafios de diferentes portes
Tamanho ou aparência não indicam, necessariamente, o grau de complexidade dos cuidados. Daniel Segalot cita o pirarucu como uma das espécies que requerem maior cautela durante as manutenções.
“O animal é bastante assustado e eu preciso entrar no aquário junto com ele para realizar as manutenções. Então, preciso fazer tudo com bastante cuidado”, conta.
A exigência também pode estar entre organismos muito menores. Os corais, por exemplo, demandam controle rigoroso por parte da tratadora Bruna Oliveira. Sensíveis a variações no ambiente, dependem de parâmetros adequados de água e iluminação.
Salinidade, temperatura e substrato estão entre os indicadores verificados pela equipe. Esses dados permitem detectar alterações e orientar os ajustes necessários em cada habitat.
Quando o comportamento vira informação
A convivência diária ajuda a reconhecer características individuais. “Cada animal é único”, resume a tratadora Julia Moreira.
Leonardo Cardoso percebe essas diferenças entre os cavalos-marinhos e consegue distinguir alguns deles pelos hábitos alimentares.
“Tem um cavalo-marinho em específico que só come na pinça. Quando vou alimentar, sei diferenciar alguns deles”, relata.
Com os pinguins, Stefany Lorraine presta atenção a outros sinais. Apetite, permanência na água ou no ninho e interação com o grupo ajudam a estabelecer padrões. Conhecer essas características permite perceber quando algo foge do habitual.
“Cada um tem suas particularidades. Os pinguins têm os que mais gostam de nadar, o polvo tem seus dias, o cirurgião-patela gosta de ficar escondido”, exemplifica Stefany.
Locomoção, condição corporal e eventuais lesões completam esse conjunto de informações e auxiliam nas decisões da equipe técnica.
Muito além de alimentar e fazer carinho
A imagem que parte do público tem da profissão costuma estar associada ao contato direto com os bichos. Nos bastidores, porém, o trabalho inclui uma série de tarefas menos visíveis.
“Muita gente imagina que trabalhar com animais é passar o dia fazendo carinho, alimentando e brincando com eles”, diz o tratador Anderson Luiz.
Limpeza dos habitats, controle da qualidade da água, registros, enriquecimento ambiental e condicionamento estão entre as atribuições. A proximidade, no entanto, não significa interação constante. Em determinadas situações, manter distância também faz parte do procedimento.
“Muitas vezes, o melhor manejo é justamente aquele em que respeitamos o espaço e o comportamento natural do animal”, afirma Anderson.

C.Turismo

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